Dica de filme: Surplus.
Acho que começa a hora – ou já passamos dela – de rever nossas concepções de consumo. De rever as concepções de cidadania, de crescimento, de desenvolvimento, mesmo que “sustentável”.
Uma sociedade que fica em polvorosa quando o consumo de carros cai e depois não tem onde mais colocar estes mesmos carros nas ruas engarrafadas das cidades, está doente.
Uma sociedade que é capaz de jogar no lixo sua produção excedente de comida para que o preço desta se eleve no mercado, está doente.
Uma sociedade que trata este tal de “mercado” como uma pessoa acima do em ou do mal, como seu próprio Deus (“o Mercado acordou nervoso hoje”), está doente.
Fica-se preocupado com empregos e com ganhos cada vez maiores. Em compensação, gastamos cada vez mais com produtos que duram cada vez menos.
Ora, se os produtos durassem por décadas, precisaríamos cada vez de mais renda para comprar outros novos?
Há um tempo, durante a crise, o presidente Lula deu como antídoto: “comprem”!
Este é o terror hoje em dia: o consumo cair.
Tem algo errado e devemos pensar sobre isso.
Tem que haver outras formas de circular as riquezas. As riquezas, aliás, não podem ser só em forma de mercadorias.
É dever nosso pensar sobre isso e fazer os outros pensarem sobre isso.
Não há solução pronta, mas muitas se nos apresentam:
- Comprar menos;
- Comprar produtos que durem mais;
- Reelaborar nossas prioridades e necessidades;
- Diminuir a publicidade;
- Produzir leis que forcem a menor produção (como uma que obrigue a garantia ser maior do que a vergonhosa um ano ou três meses!).
Não sei se há uma “revolução” possível, mas acho que é chegada a hora de, politicamente, iniciar uma mudança. É chegada a hora de, por exemplo, termos uma classe política verdadeiramente interessada nesta questão.
Pode-se não concordar com tudo o que este filme apresenta, mas é um bom ponto de partida para discutirmos o assunto.
Abraços,
Declev Reynier Dib-Ferreira
Consumidor…






