Morte e vida. O tempo passa e tudo com ele…

February 6th, 2010 by declev

Este ano começou com muitas mortes.

Fora as milhares pelo mundo (terremoto no Haiti, aviões caindo, etc.), muitos conhecidos meus ou de conhecidos meus.

Meus avós maternos tinham uma casa em Araruama, na qual passei indo toda minha infância e boa parte de minha adolescência.

Lá tinha um caseiro e sua família, numa casinha modesta nos fundos do quintal.

O caseiro morreu, depois meu avô.

Continuamos indo lá por muitos anos, convivendo com a mulher dele, que nunca fazia nada na casa, mas morou de graça por muitos longos anos, não pagando água, luz, aluguel…

Minha vó, depois de algumas indas e vindas ao hospital, morre.

Já íamos muito pouco à casa. Falei com saudosismo de uma árvore que não mais existe lá, em uma poesia.

Certa vez fui lá e encontrei a caseira (ou moradora dos fundos). Perguntou-me de minha vó. Vi o rosto e as interjeições de surpresa, quando falei do ocorrido.

Tempos depois, ao queremos vender a casa, ela quis “indenização” pelos serviços [não] prestados.

Pois é, apesar de viver de graça por muitos longos anos e não fazer nada além de morar lá, ela quis dinheiro para sair.

Depois de muito tempo em um empurra-empurra, ao vender-se a casa, ela recebeu o que queria.

Fiquei sabendo esta semana que ela morreu.

Não sei se aproveitou o dinheiro, mas não importa.

Fiquei pensando na minha infância (eu brincava com o filho e as filhas dela), minha juventude, os momentos que passamos lá.

Pensei: acabou.

Morreram meu avô, m inha avó, os caseiros e a casa foi vendida.

O que mais acabará para mim, daqui a alguns anos?

Fim de ano, início de vida

December 18th, 2009 by declev

Adoro o final do ano.

Tenho uma poesia sobre isso.

Sei que temos a impressão do tempo passando, de velhice chegando, essas coisas.

Mas, em compensação, também temos a impressão de recomeço.

Algo como uma 2a (ou 40a) chance.

Tudo o que não fizemos, podemos fazer ano que vem.

Tudo o que erramos, podemos consertar e não errar ano que vem.

Tudo o que deu certo, podemos continuar e aprofundar.

Tudo o que engordamos, podemos emagrecer ano que vem.

É claro que podemos começar a cada momento a fazer todas essas coisas (como eu disse na poesia acima).

Mas o inconsciente atua forte nesse caso.

É como num jogo que você está perdendo de goleada. Você luta, mas sabe que é difícil.

Mas após o jogo, pode se preparar, colocar a cabeça no lugar e tomar força pro próximo.

No próximo eu venço.

Declev Reynier Dib-Ferreira
Novo

Cachorro ou gente?

December 15th, 2009 by declev

Só quem teve ou tem um cachorro, sabe o que é ter ou conviver com um cachorro…P5240035

Aquela dificuldade de não saber o que o outro sente, o que o outro quer dizer, não existe.

Aquela solidão de chegar em casa e não ter quem te fale, não existe.

Você pode brigar com ele, xingar, afastar, mandar embora… mas ele, mesmo magoado, volta.

Ou no momento seguinte, te espera.

Se você está cabisbaixo, mesmo sem saber, ele sabe.

Se alguém não te gosta, nem ele ao outro.

Você olha o olho dele e ele te ri quando você chega.

Não há chegar em casa impune.

Você está condenado a não ser só.

Declev Reynier Dib-Ferreira

Dono

Comunicar ou não comunicar?

December 13th, 2009 by declev

Tenho um ou dois amigos que não têm celular, não interagem com a internet, raramente abrem email.

Eu acho que deve ser um horror.

Somos seres comunicantes. E qualquer forma de comunicação é comunicação, não só a fala.

Sim, a fala pode ser a “principal”, mas antes disso, durante isso, sem isso também nos comunicamos.

Se antes utilizávamos sinais de fumaça, tambores, pombos, hoje utilizamos celulares, internet.

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Fantástico.

Sempre havia uma forma de se fazer a comunicação, por mais sofrida e difícil que fosse.

O nome maratona vem por conta de um soldado grego que morreu pela comunicação.

Se o coitado morreu por isso, por que não aproveitarmos ao máximo as tecnologias facilitadoras de que hoje dispomos?

E também devemos fazer isso por todos os nossos antepassados que vieram inventando e aperfeiçoando as ligações entre os seres humanos.

Telégrafo, rádio, correios, TV, papel (jornal, carta, revista)…

E, não se engane: uma vez privados de tal fantástica habilidade, faremos de tudo para re-tê-la.

Por isso existe a LIBRAS! Libras

Por fim, vi outro dia um documentário em um presídio de segurança máxima, não lembro de qual país, em que se fazia de tudo para que os presos não tivessem comunicação entre eles e com o mundo exterior.

Em uma pequena área toda cimentada, utilizada para a 1h de banho de sol diário, eles utilizavam o ralo para se falarem.

Para repassar mensagens de uma cela a outra, eles desfiavam as roupas ou lençóis e fronhas para fazer linhas e com elas jogar os bilhetes para o colega da cela ao lado, que os pescavam também utilizando o mesmo artifício.

Pensando nisso, me lembro do Arthur Bispo do Rosário que, em sua louca solidão, nos comunicou tanta coisa.

Então, quem sou eu pra não utilizar a internet (email, blog, orkut e milhares de outros meios), o celular e tantos outros meios que temos para dizer que estamos no mundo?

Declev Reynier Dib-Ferreira