Tive certa vez uma claridade pensamental que irá me acompanhar pelo resto da vida.
Como vocês sabem, tive oportunidade de visitar o Velho Continente em janeiro e fevereiro de 2008. Foram quase dois meses rodando 10 países.
Já tive oportunidade de escrever sobre alguns aspectos da viagem por aqui. Para exemplo veja este e este posts.
Mas vamos à lâmpada mental:
Nada é a mesma coisa quando passamos por ela!
O simples fato de tocar em algo, faz deste e de nós mesmos, diferentes.
Não precisamos fazer muita coisa, basta tocar, mexer, encostar que já somos diferentes e o objeto idem.
Há uma troca.
Há a possível perda ou ganho de algo.
Acendeu-me a lâmpada ao passear, como disse, pela Europa, e passar e entrar em locais que são mais velhos que o próprio Brasil (este que conhecemos, que se iniciou com a chegada dos portugueses há 500 anos).
Visitei igrejas com quase o dobro de idade de nosso país adolescente.
Passeei por ruas por onde andaram grandes nomes tais como Galileu, Shakespeare, Leonardo da Vinci, papas da antiguidade e muitos outros.
E o que percebi?
Que as coisas estão desgastadas, poídas pelo tempo.
Os degraus das igrejas estão afundados, abaulados onde os pés encostam procurando apoio.
E por quê? Porque as pessoas ficam lixando? Jogando ácido?
Não! Simplesmente porque encostam neles!
Conheci uma igreja onde todos os fiés, visitantes ou turistas tocam um dos pés da escultura de um santo e se benzem, rogando alguma proteção, pedido, cura, milagre.
O pé desta imagem, de um metal escuro que eu não reconheci, está desgastado, não dando mais para ver os dedos, pois o local onde todos tocam está liso, como se tivesse sido polido.
Ora, as pessoas por acaso ficam passando a mão com força, com uma lixa ou algo parecido?
Não!
Elas simplesmente tocam, delicadamente, os pés do santo, e se benzem.
Como desgastaram a obra, então?
Intercedendo nanomicamente há centenas de anos.
O simples toque, intercede.
E assim, podemos interceder na vida das pessoas, nas coisas, nos animais, nas plantas, na nossa vida.
Nanomicamente.
Diariamente.
Invisivelmente à primeira vista, mas muito perceptível com o tempo.
Declev Reynier Dib-Ferreira