Quantos de mim cabem em um só corpo, em uma só alma?

November 15th, 2011 by declev

Tenho a impressão de ser um monte.

Não consigo fazer uma só coisa.

Ao mesmo tempo que estou pensando em uma, estou escrevendo sobre outra, lendo acolá e desenhando cá.

Déficit de Atenção?

Talvez.

Múltiplas personalidades?

Talvez.

Vontade de abraçar o mundo com as pernas e os braços?

Com certeza!

Declev Reynier Dib-Ferreira
Tenho que terminar outras coisas.

Artistas

October 7th, 2011 by declev

Será que todo artista é assim?

Poeta, meio pintor…

Pintor, meio contista…

Contista, meio desenhista…

Desenhista, meio cronista…

Cronista, meio arquiteto…

Arquiteto, meio design…

Design, meio escultor…

Será que todos são como eu?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Artista?

Meu tempo passou

October 7th, 2011 by declev

Já tenho mais de quatro décadas neste corpo, nesta vida.

O que fiz?

O que tenho ainda pra fazer?

O que conseguirei fazer?

Tantos morreram antes dos 40 e revolucionaram o mundo…

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
41 anos

Muletas

September 29th, 2011 by declev

Vejo o Rock in Rio dentro de casa, na televisão.

Bebo cerveja.

Ouço tributo ao Legião Urbana.

Lembro daquilo que [não] fui.

Lembro do que vivi.

Penso no que não vivi.

No que poderia ter vivido.

No que não viverei mais.

E o futuro não é mais como era antigamente…

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Anos 70/80

27 de setembro é dia de Cosme e Damião e era aniversário da minha vó

September 26th, 2011 by declev

Hoje, dia 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, seria aniversário de minha avó Herly.

Viveu mais de 80 anos e até o final comemorava o aniversário, sempre no dia, não importava se caía numa segunda ou numa quarta ou num domingo.

Viveu mais de 80 anos e até o final tomava sua cervejinha.

Viveu mais de 80 anos e até o final dançava, viajava, ia à casa dos filhos, visitava os netos.

Deve estar muito bem.

Quando ela desencarnou eu não estava presente, pois estava em viagem de estudos, portanto só tenho a imagem dela viva.

E seu que é assim que ela está e é assim que a encontrarei.

Beijos,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Neto

O que fica?

September 11th, 2011 by declev

Não demorará muito e estarei partindo.

Fico me perguntando diariamente o que ficará de mim, o que fiz para que tenha merecido ter passado por aqui.

Aquele ditado que diz que “o que se leva dessa vida é a vida que se leva” não funciona comigo.

Não estou aqui pra “curtir”.

Não estou aqui pra me divertir.

O que deixarei por aqui, depois de minha passagem, além de minha “diversão”?

Se eu fosse hoje, o que ficaria, qual minha contribuição?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Em dúvida

É isso que tenho que fazer então?

September 8th, 2011 by declev

Eu nunca quis ser professor.

Entrei pra biologia pra trabalhar com bichos, literalmente falando.

Por um tempo – o tempo mais gratificante para mim, profissionalmente falando – trabalhei com macacos no meio da Amazônia.

Depois, desempregado, caí no ensino formal, trabalhando dentro de escola pública de periferia.

De lá nunca mais saí.

Sofro, penso, sofro, faço, penso, sofro.

É esse meu destino, professor de adolescentes?

É isso o que deixarei por aqui?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor. Ou não?

Do que o ser humano é capaz?

July 12th, 2011 by declev

Intrinsicamente, todo ser humano é capaz de ser capaz.

A capacidade de fazer algo é inata.

Dom, existe, mas todos podem fazer de tudo.

É só dar a oportunidade.

Se treinar, ensaiar, errar e continuar, aprender, buscar, aprimorar… somos capazes de ser? Somos capazes de fazer?

Então, a quantos negamos a oportunidade, por omissão, por negação de direitos, por maldade?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Não-Filósofo

Poema-lembrança dos meus 40 anos

August 16th, 2010 by declev

Nasci em 1970, de mãe Derli e pai José.

Acho que cheguei à metade de minha vida.

Sempre achei que iria morrer com 80 anos, mas com o avanço dos métodos de continuidade da vida terrestre, talvez demore mais.

Mas como sempre achei que iria morrer com 80 anos, cheguei à metade de minha vida.

Sou professor, ambientalista, educador, apesar de mal-educado às vezes.

E já fiz de tudo um pouco.

Já andei a cavalo, de moto, de carro.

Já andei de ônibus e de caminhão.

Já voei de avião grande, de monomotor e de teco-teco.

Já voei de helicóptero.

Já remei em caiaque e em barquinho de madeira.

Já andei de barca, de barco, de lancha.

Já andei de bicicleta, de patinete, de skate, de carrinho de rolimã.

Já surfei, ou ao menos tentei…, já peguei onda de jacaré.

Morei no Amazonas no meio do mato, procurando macacos com binóculos, tomando banho de rio ouvindo jacaré roncar.

Nadei no meio de um igarapé na Amazônia, quando começou uma chuva forte que, respingando na folha d’água, cegou-me por instantes.

Já fiz camisas, já tive um bar, já vendi Amwai (mas não me pergunte o que é isso!).

Já tentei criar codornas.

Já escrevi poemas, contos, crônicas. Tive alguns escritos premiados e publicados.

Já pintei, desenhei, esculpi, montei, colei, inventei.

Já expus.

Me formei, fiz especialização, mestrado, doutorado.

Dou aula em duas escolas, mas já fiz palestras, cursos, oficinas, aulas em faculdade, universidade, especialização, orientações.

Já conheci o Brasil quase todo. Já visitei cerca de 20 países. Até Letônia, Marrocos e Turquia.

Fiz amigos e amigas, desfiz de uns e de outras.

Mas continuo aberto a ambos.

Já casei e descasei.

Depois casei de novo…

Desta vez pra sempre.

Agora, depois dos “enta”, só saio como Niemeyer ou Dona Cano.

Até lá, minhas páginas estão em branco, esperando por ser preenchidas.

Nelas, minha família, meus amigos e amigas mais antigas e as novas possibilidades.

E, nelas, a companheira que escolhi pra me acompanhar no preenchimento das novas linhas, pra aumentar minha família, pra cuidar de minha velhice… Ana Catarina Marques da Cunha Martins Portugal

Declev Reynier Dib-Ferreira

Nada fica incólume a nada, tudo tem ligação com tudo. E o que fazemos nós sobre isso?

July 11th, 2010 by declev

Tive certa vez uma claridade pensamental que irá me acompanhar pelo resto da vida.

Como vocês sabem, tive oportunidade de visitar o Velho Continente em janeiro e fevereiro de 2008. Foram quase dois meses rodando 10 países.

Já tive oportunidade de escrever sobre alguns aspectos da viagem por aqui. Para exemplo veja este e este posts.

Mas vamos à lâmpada mental:

Nada é a mesma coisa quando passamos por ela!

O simples fato de tocar em algo, faz deste e de nós mesmos, diferentes.

Não precisamos fazer muita coisa, basta tocar, mexer, encostar que já somos diferentes e o objeto idem.

Há uma troca.

Há a possível perda ou ganho de algo.

Acendeu-me a lâmpada ao passear, como disse, pela Europa, e passar e entrar em locais que são mais velhos que o próprio Brasil (este que conhecemos, que se iniciou com a chegada dos portugueses há 500 anos).

Visitei igrejas com quase o dobro de idade de nosso país adolescente.

Passeei por ruas por onde andaram grandes nomes tais como Galileu, Shakespeare, Leonardo da Vinci, papas da antiguidade e muitos outros.

E o que percebi?

Que as coisas estão desgastadas, poídas pelo tempo.

Os degraus das igrejas estão afundados, abaulados onde os pés encostam procurando apoio.

E por quê? Porque as pessoas ficam lixando? Jogando ácido?

Não! Simplesmente porque encostam neles!

Conheci uma igreja onde todos os fiés, visitantes ou turistas tocam um dos pés da escultura de um santo e se benzem, rogando alguma proteção, pedido, cura, milagre.

O pé desta imagem, de um metal escuro que eu não reconheci, está desgastado, não dando mais para ver os dedos, pois o local onde todos tocam está liso, como se tivesse sido polido.

Ora, as pessoas por acaso ficam passando a mão com força, com uma lixa ou algo parecido?

Não!

Elas simplesmente tocam, delicadamente, os pés do santo, e se benzem.

Como desgastaram a obra, então?

Intercedendo nanomicamente há centenas de anos.

O simples toque, intercede.

E assim, podemos interceder na vida das pessoas, nas coisas, nos animais, nas plantas, na nossa vida.

Nanomicamente.

Diariamente.

Invisivelmente à primeira vista, mas muito perceptível com o tempo.

Declev Reynier Dib-Ferreira