Menino Juan que sumiu no Rio e tantos outros têm vida curta decretada assim que nascem

No País dos Absurdos é assim: pela cor de sua pele, pelo sexo, pelo poder aquisitivo e pelo local de nascimento, pode-se predizer que uma pessoa vai ter vida longa ou curta.

Os brancos, vida longa. Os negros, vida curta.

Os que têm dinheiro, vida longa. Os que não têm, vida curta.

As mulheres, vida longa. Os homens, vida curta.

Os que nascem em “bairros”, vida longa. Os das “comunidades”, vida curta.

Façamos uma mistura entre as sentenças acima e teremos os de vida mais longa e os de vida mais curta.

Assim, os de vida mais curta são aqueles que nascem homens, negros, sem dinheiro e em comunidades.

Há um verdadeiro massacre, uma limpeza étnica acontecendo no Brasil dos Absurdos, que não é dita explicitamente, sendo mascarada pelos meios de comunicação e pelas autoridades por meio de ditos “confrontos” entre bandidos e polícia, se é que se pode fazer esta distinção.

Em pouquíssimos países do mundo se poderia ler uma manchete como esta, do sumiço do menino Juan, e ninguém ser efetivamente preso, nem o polícia matador pé-de-chinelo, nem altos comandantes.

Talvez isso possa acontecer também em países da África, sem preconceito com o nosso continente-mãe.

Mas isso só pode ocorrer em países em que existe uma limpeza étnica como no País dos Absurdos e determinados páises da África, por exemplo.

Resumo da ópera:

Três meninos jovens negros de comunidade voltam pra casa às 10h da noite, passando por um beco (utilizado normalmente pelos moradores).

Em determinado momento, polícias trocam tiros com bandidos.

Dois jovens aparecem baleados. Um dos feridos é tido como traficante e algemado durante dias no hospital.

Primeiro absurdo: polícias trocam tiros com bandidos em qualquer hora, em qualquer lugar, independente de quem esteja no caminho. Seria exagero dizer que só aqui isso acontece?

Segundo absurdo: o jovem baleado e algemado NÃO é traficante. Era somente um morador que estava passando pelo local. Por que razão foi dito como bandido?

Terceirro absurdo: um dos jovens some. Simplesmente. Sem comentários.

Quarto absurdo: a polícia só fez perícia no local 8 (oito) dias depois. Sem comentários, mas eu tenho vergonha de meu país.

Quinto absurdo: após a perícia, descobriu-se que a polícia NÃO ESTAVA TROCANDO TIROS COM NINGUÉM!!!

Sexto absurdo: segundo a polícia, eles foram até lá seguindo uma dica de uma ligação anônima. Descobriu-se que a ligação foi feita APÓS o suposto “tiroteio”: “não foram achados indícios de tiros disparados em direção os (sic) policiais do 20º BPM” (O Globo, 04/07/11, p.17).

Perceberam o horror desta situação?

A polícia simplesmente resolveu brincar de tiro ao alvo, ficaram de espreita em frente a um beco qualquer e mandaram bala nos primeiros que apareceream.

Dois conseguiram escapar. Um, eles sumiram com o corpo.

Eu me pergunto: quantos e quantos e quantos mais não temos por aí, jovens negros de comunidade, servindo de tiro-ao-alvo, sem que apareçam na grande mídia?

E ninguém vai preso por isso?!?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Indignado e envergonhado deste país

Mais informações:

Índice de Homicídios na Adolescência

Mapa da violência no Brasil

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One Response to “Menino Juan que sumiu no Rio e tantos outros têm vida curta decretada assim que nascem”

  1. [...] caso do menino Juan [não esqueçamos que, neste caso, além dele outro rapaz, de 17 anos, também foi assassinado!] [...]

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