O Fantástico Mundo Encantado da Publicidade

Eu gostaria de viver no Fantástico Mundo Encantado da Publicidade.

Lá, teria a mulher que quisesse na cama que escolhesse.

Basta eu usar um desodorante, um perfume ou uma pasta de dentes para me tornar irresistível, ter a mulher mais bonita aos meus pés.

Lá, toda cerveja vem acompanhada de uma mulher-objeto com seios fartos vestida em trajes sumários querendo algo comigo justamente por estar bebendo cerveja! Que maravilha…

O meu banco – qualquer que seja – é meu parceiro, meu amigo. Trata meu dinheiro como se fosse meu, não dele.Sempre me dá lucro e nunca me rouba. As taxas de juros – se há – são mínimas. A toda hora que eu quero ou preciso, o gerente está me esperando com um sorriso no rosto e um cafezinho fresco.

E a telefonia então?! Eu posso tudo! Ela sempre funciona e sempre pago o menor preço. As empresas quase que me pagam para ter-me como cliente. É cada desconto que eu ganho, cada promoção… eu falo horas e mais horas em meu celular e pago cada vez menos. Elas nunca dão problema, mas quando tenho algo a resolver, é só ligar, que imediatamente eles resolvem!

No Fantástico Mundo Encantado da Publicidade, política é coisa séria. Política é para o povo. Os políticos são trabalhadores, honestos, gente como a gente. Eles não têm privilégios, trabalham duro para melhorar nossa cidade e nosso país Encantado.

É impressionante como os políticos de lá realizam obras decentes, imprescindíveis e pelo preço justo; como dão valor à saúde e à educação; como são éticos e respeitam o que é público.

Lá, no Fantástico Mundo Encantado da Publicidade, os alimentos são saudáveis, você pode comer de tudo. Refrigerante faz bem, hambúrguer alimenta, é tudo natural e não há química perigosa.

São todos felizes, famílias perfeitas em casas maravilhosas.

Todos podem ter carros potentes, caríssimos e andar à vontade pelas ruas vazias. Os carros andam livremente, inclusive por áreas desurbanizadas, rompendo fronteiras, atravessando rios e campos.

Ah, se eu pudesse, me mudaria pra lá… de avião, com aquelas comissárias sorridentes, sem filas, sem perder malas e com um lanchinho gostoso!

Eu viveria com um sorriso no rosto com meus dentes brancos, hálito refrescante, roupas limpas e perfumadas, sem micróbios e bactérias, sem mosquitos, sem engarrafamentos, sem violência, sem pobreza, sem corrupção…

Bastaria eu acreditar!

Declev Reynier Dib-Ferreira
Morador do Pais dos Absurdos

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